Advogado de Bolsonaro afirma ao STF que não conversou com familiares de Cid sobre delação

Advogado de Bolsonaro afirma ao STF que não conversou com familiares de Cid sobre delação

Suposto Envolvimento de Advogado de Bolsonaro em Caso de Delação é Investigado pelo STF

O advogado Paulo Amador Cunha Bueno, que integra a equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi convocado a prestar esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre possíveis tentativas de obter informações da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. A investigação, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, também envolve Fábio Wajngarten, ex-assessor de Bolsonaro, em um caso que levanta questões sobre obstrução de investigações relacionadas a uma organização criminosa.

Investigação do STF e Alegações de Obstrução

Na quarta-feira, 25 de junho, Alexandre de Moraes ordenou que a Polícia Federal ouvisse Paulo Amador Cunha Bueno e Fábio Wajngarten, em resposta a relatos que sugerem tentativas de obter informações sensíveis sobre a colaboração premiada de Mauro Cid. Segundo o ministro, as evidências indicam possíveis crimes de obstrução de investigação que envolvem organização criminosa. Bueno, advogado de defesa de Bolsonaro no STF, nega as acusações, alegando que não teve discussões sobre delação com familiares de Cid.

Fábio Wajngarten, que aconselhou Bolsonaro até sua demissão em maio, também está sob investigação. A defesa de Mauro Cid alega que a mãe do militar, Agnes Barbosa Cid, foi abordada por Bueno e Luiz Eduardo Kuntz em eventos na Sociedade Hípica Paulista. A abordagem teria o objetivo de persuadir Agnes a substituir a defesa de seu filho, o que Bueno nega categoricamente.

Encontro na Sociedade Hípica Paulista

Bueno confirmou ao STF que conheceu Agnes na Sociedade Hípica Paulista, mas descreveu o encontro como breve e amigável, sem discussões sobre a delação. Ele relatou que apenas elogiou a neta de Agnes pela sua habilidade na equitação, sem qualquer menção a questões legais. A defesa de Bueno sustenta que ele e Mauro Cid se conheceram em março de 2023, quando o advogado assumiu o caso das joias sauditas, e mantiveram contatos esporádicos até a prisão do militar em maio.

Bueno afirma que a comunicação com Cid era necessária devido ao papel do militar na catalogação e encaminhamento de presentes oficiais durante o governo Bolsonaro. Após a prisão de Cid, os dois se encontraram apenas na sessão de interrogatórios sobre a trama golpista, em junho, onde o único contato teria sido um breve cumprimento com um gesto de cabeça.

Evidências e Conflitos de Narrativas

O advogado de Bueno argumenta que Mauro Cid tenta criar uma narrativa alternativa para desviar de provas de que violou seu acordo de colaboração. No mesmo inquérito, o coronel da reserva Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro e réu no caso da trama golpista, foi preso pela Polícia Federal em 18 de junho. A prisão ocorreu após a entrega de mensagens e áudios ao STF por Luiz Eduardo Kuntz, advogado de Cid, que mostrariam comunicações entre Câmara e o tenente-coronel sobre a delação premiada.

A defesa de Câmara solicitou a anulação da colaboração com base nessas conversas, mas Moraes destacou que Câmara estava sob medidas cautelares que o proibiam de manter contato com outros investigados, mesmo através de intermediários.

As investigações em curso destacam a complexidade do caso envolvendo figuras de destaque do cenário político brasileiro. O STF continua a avaliar as alegações e provas apresentadas, mantendo o foco na integridade do processo judicial. O desfecho desse caso poderá ter implicações significativas para os envolvidos e para a compreensão dos limites legais em casos de delação premiada e obstrução de justiça.

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